Aqui, irei dizer os casos que demos em aula que achei mais relevantes: 

Os gêmeos Jim

Os dois irmãos nasceram a 19 de Agosto de 1939, na localidade de Piqua, Ohio. Enquanto estavam a falar sobre as suas vidas, descobriram que ambos tinham sido casados com uma mulher chamada Linda, da qual posteriormente se divorciaram. Depois disso, voltaram a casar, desta vez com mulheres com o nome Betty, das quais tiveram um filho, a que ambos deram o nome de James Allan. Como se não fosse suficiente, os dois tiveram um cão a que deram o nome de Toy, fumavam a mesma marca de tabaco e gostavam da mesma marca de cerveja. Gostavam os dois de passar férias na Florida, de corridas de carros e de carpintaria. Estudaram-se também casos de gémeos que levaram vidas totalmente distintas, quando inseridas em ambientes distintos, evidenciando-se então a importância do meio no desenvolvimento humano. Deste modo, com o estudo destes gémeos, compreendeu-se que a influência genética não seria determinante, por outro lado, seria condicionante, uma vez que o desenvolvimento do ser humano culmina entre esta influência genética e o meio ambiente que o rodeia.



A chocante história da famosa criança selvagem Genie Wiley.

Houve uma série de casos de crianças selvagens criadas em isolamento social com pouco ou nenhum contato humano. Poucos capturaram a atenção pública e científica como a de uma jovem chamada Genie. Ela passou quase toda a sua infância trancada num quarto, isolada e abusada por mais de uma década. O caso de Genie foi um dos primeiros a testar a teoria do período crítico. Uma criança criada em total privação e isolamento poderia desenvolver a linguagem? Um ambiente de nutrição poderia compensar um passado horrível?  A vida de Genie, antes da sua descoberta, foi totalmente isolada. Ela passou a maior parte dos seus dias amarrada nua a uma cadeira suja, só capaz de mexer as mãos e os pés. Se ela fazia barulho, o pai batia-lhe. O pai, a mãe e o irmão mais velho, raramente falavam com ela. As raras vezes que o seu pai interagiu com ela, era a latir ou rosnar. 



Marc Yu

No âmbito da análise sobre o cérebro, foi proposto, em aula, a introdução do documentário da National Geographic sobre as crianças sobredotadas. Será o talento algo inato, ou seja, que vem de nascença? ; Será um cérebro de um sobredotado fisiologicamente diferente das demais pessoas "normais"?  Existe um génio da genialidade? O caso que vimos foi de Marc Yu. Este documentário tem como problema central o facto de existir, ou não, o gene da genialidade, ou se qualquer um pode ser génio apenas com base em treino e ambiente correto. Os genes dão uma probabilidade ou propensão da criança em adquirir certos conhecimentos, mas apenas são efetivamente demonstrados se estimula a criança para tal(tal como a psicóloga Ellen diz, não será qualquer criança que, mesmo com o regime de treino de Marc Yu, consegue realizar as tarefas que ele realiza). Ellen Winner também defende que as crianças sobredotadas auto propõem-se a melhorar e a realizar o que desejam de forma o mais autónoma possível (como o caso de Marc Yu em aprender a andar de bicicleta). A psicóloga também acredita que as crianças sobredotadas, ao realizarem exaustivamente as tarefas que pretendem, entram num ciclo virtuoso de aprendizagem, que as melhora mais e mais, tornando-as sempre cada vez mais diferentes dos outros, o que pode constituir uma desvantagem, visto este tipo de crianças ser rejeitada socialmente pelas diferenças notórias na mentalidade, podendo até serem "rotuladas" de anormais, passando a estar isoladas. De resto, o desenvolvimento tardio do córtex pré-frontal (responsável pela razão e autocontrolo) durante a puberdade, pode representar perigo no futuro de pessoas como Marc Yu.
Como se sabe, a música envolve várias tarefas simultâneas: os músicos têm de interpretar as notas que aparecem na pauta musical, mexem os dedos para produzir a nota certa e ouvem o que estão a tocar. O facto dos músicos, por exemplo, terem de usar simultaneamente as duas mãos para tocar é algo que exige um esforço cerebral, conseguido, por um lado, pelo controlo do membro superior esquerdo pelo hemisfério direito e, por outro lado, pelo controlo do membro superior direito pelo hemisfério esquerdo. Apesar de cada hemisfério comandar apenas um lado do corpo, estes têm de funcionar em harmonia para permitir a precisão e coordenação necessária aos músicos para tocar. Também o cerebelo ou o corpo caloso exercem funções de finalidade musical, provando assim que a interação cerebral e a sua complexidade permitem as atividades mentais. 
Pesquisas realizadas pelo neurologista Gottfried Schlaug revelaram, como se verificou no episódio, que os cérebros dos músicos apresentam especializações anormais num cérebro normal, precisamente adaptadas para a função que realizam (o cerebelo, por exemplo), permitindo a coordenação e concentração necessárias à atividade. Hoje em dia, Marc tem 22 anos.

Phineas Gage

Phineas Gage nasceu no dia 9 de julho de 1823 e morreu no dia 21 de maio de 1860 com apenas 37 anos. Foi um operário americano que, num acidente com explosivos, teve seu cérebro perfurado por uma barra de metal, sobrevivendo apesar da gravidade do acidente. Após o acidente, a mãe dele notou que parte da memória dele parecia prejudicada. Com o passar do tempo, o comportamento de Gage já não era o mesmo de antes do acidente. Gage parecia ter perdido parte do tato social e tornou-se agressivo e explosivo, O rapaz doce que era antes, tornou-se inconsequente e rude e abandonou os planos para o futuro, não tendo constituído família. Ele não conseguiu recuperar o emprego e tornou-se numa espécie de museu ambulante, afinal como é que um homem tem o cérebro atravessado por uma barra e quer sobreviver? Sem maiores danos? Era um caso tão notório, que por dois anos a comunidade médica recusava-se a acreditar!  O caso de Phineas Gage deu material para dois fortes temas de pesquisa e debate no século seguinte: a personalidade como produto do cérebro com as relações mente-cérebro e funções localizadas em áreas específicas do cérebro. Afinal, se um acidente é capaz de mudar como uma pessoa age no quotidiano por danificar o cérebro, a personalidade está então armazenada na cabeça. Alguns afirmam que o caso de Gage serviu para o desenvolvimento da psicocirurgia e até da lobotomia, entretanto sem evidências concretas. Foram os relatos do caso de Phineas que voltaram a atenção de cientistas para o lobo frontal como região associada a características da personalidade, além da possibilidade de sobrevivência após uma lesão tão brusca que de acordo com o médico, "derramava o cérebro" quando ele tossia.  Atualmente, o acidente de Phineas já foi simulado em computadores por pelo menos dois grupos de pesquisadores. Em 2004, a reconstrução apontava que o dano teria sido nos dois lados do cérebro, mas em uma versão 3D mais recente apenas o hemisfério esquerdo foi afetado. A análise mais recente, em 2012, estima que ele perdeu cerca de 15% da massa cerebral, tendo a barra de ferro levado parte do córtex e parte dos núcleos internos do cérebro. Isso justifica as alterações de comportamento e perdas de memória, afinal foram danificadas regiões como o córtex pré-frontal que é parte importante na tomada de decisões.

O caso de Henry Molaison

Henry Molaison, foi um dos mais famosos e mais estudados doentes da história das neurociências modernas. Até à sua morte, em 2008, os cientistas só tinham podido estudar as suas lesões cerebrais "do lado de fora", nomeadamente através de imagens de ressonância magnética. Agora, uma equipa de cientistas dissecou postumamente o cérebro deste homem que, a seguir a uma cirurgia, perdera totalmente a capacidade de formar novas memórias. Henry Molaison começou a sofrer, por razões incertas, pequenas crises epiléticas quando tinha dez anos. As crises tornaram-se muito mais graves aos 15 anos, comprometendo a sua saúde e o seu desempenho escolar e social. Ao ponto de em 1953, quando tinha 27 anos - e que a medicação anticonvulsiva em altas doses não funcionava -, este jovem norte-americano ter feito uma cirurgia cerebral na esperança de que os seus sintomas se iriam atenuar. De facto, houve uma certa melhoria quando os neurocirurgiões removeram uma zona do cérebro de H.M. - uma parte dos chamados "lobos temporais mediais", incluindo uma pequena estrutura chamada "hipocampo" -, mas ao mesmo tempo a operação teve um impacto imprevisto e infeliz. É que, apesar de as suas faculdades intelectuais e percetuais, bem como a sua personalidade, não se terem aparentemente alterado, a partir daí ele nunca voltou a conseguir criar e reter novas memórias. (...) Até ao fim da vida, a pureza e a gravidade da incapacidade mnemónica de H. M., aliadas à sua boa vontade para participar em testes sem fim, tornaram o seu caso mais influente do que qualquer outro. Até a equipa de Annese ter realizado o atual trabalho não se sabia ao certo qual era a extensão do tecido que fora removido do cérebro de H. M. nos anos 1950. Ora, para consolidar os resultados, era preciso visualizar esse cérebro com uma maior resolução do que a que permitem as imagens cerebrais não invasivas. Por isso, em 2009, estes cientistas dissecaram o cérebro de H. M., congelando-o e cortando-o em 2401 finas fatias. Durante o corte iam recolhendo imagens digitais de cada fatia, que seriam reunidas num modelo 3D, à escala microscópica, da totalidade do cérebro do famoso doente. 

Os cientistas defrontaram-se então com duas novidades. Por um lado, e ao contrário do que sempre se pensara, H. M. ainda possuía uma parte substancial do seu hipocampo. Por outro, existia uma pequena lesão bem delimitada, ao nível do lobo frontal esquerdo de H. M., que afetava o córtex dito "pré-frontal", envolvido em particular nas tomadas de decisão. Os autores não especulam sobre as eventuais consequências desta pequena lesão, mas segundo eles é provável que tenha sido causada pela própria técnica cirúrgica (...). Durante décadas, pensou-se que a principal área lesionada responsável pela amnésia de H. M. era o hipocampo, porém, os novos resultados mostram que uma porção substancial do hipocampo de H. M. poderá ter sido poupada pela operação. E que, pelo contrário, o córtex entorinal, placa giratória de toda a informação que entra no hipocampo, foi quase totalmente destruído. Isso sugere que o córtex entorinal poderá ser mais importante para os défices de memória de H. M. do que se pensava. 


O caso de Gary e Mary Jane Chauncey

Para que servem as emoções?

Consideremos os últimos momentos de Gary e Mary Jane Chauncey, um casal completamente dedicado à filha de onze anos, Andrea, presa a uma cadeira de rodas por uma paralisia cerebral. A família Chauncey viajava num comboio que se precipitou num rio depois de uma barcaça ter chocado, enfraquecendo-o, com o pilar de uma ponte ferroviária, no Louisiana. Pensando antes de mais nada na filha, o casal fez tudo o que podia para salvar Andrea da água que entrava a jorros na carruagem já meio submersa; finalmente, conseguiram fazê-la passar através da janela, para as mãos dos salvadores. Depois, a carruagem desapareceu sob as águas, e eles morreram. A história de Andrea, de pais cujo último gesto heroico é para garantir a sobrevivência da filha, representa um momento de coragem quase mítica. Sem a mínima dúvida, incidentes como este, de sacrifício de pais pelos filhos, repetiram-se vezes sem conta ao longo da história e da pré-história humanas, e incontáveis vezes mais durante o muito mais dilatado curso da evolução da espécie. Visto da perspetiva do biólogo evolucionista, este tipo de autossacrifício parental é uma consequência da necessidade de «êxito reprodutivo», ou seja, o imperativo de transmitir os próprios genes às gerações futuras. Mas da perspetiva de um pai, ou de uma mãe, que toma uma decisão desesperada num momento de crise, tem única e exclusivamente a ver com amor. Enquanto revelação sobre o propósito e poder das emoções, este ato exemplar de heroísmo parental testemunha o papel do amor altruísta - e de outras emoções que sentimos - na vida humana. Sugere que os nossos sentimentos mais profundos, as nossas paixões e desejos, são guias essenciais e que a nossa espécie deve uma grande parte da sua existência ao poder desses sentimentos, paixões e desejos nos assuntos humanos. Esse poder é extraordinário: só um amor poderosíssimo - a necessidade de salvar um filho querido - pode levar um pai a dominar o impulso de sobrevivência pessoal. Visto com o intelecto, poderá argumentar-se que o sacrifício dos Chauncey foi irracional; visto com o coração, era a única escolha possível. (...) Uma visão da natureza humana que ignore o poder das emoções é tristemente míope. O próprio nome homo sapiens, a espécie que pensa, é enganador à luz da nova apreciação e visão que a ciência atual tem do lugar das emoções nas nossas vidas. Como todos nós muito bem sabemos por experiência própria, quando se trata de formular as nossas decisões ou as nossas ações, o sentimento conta tanto, e muitas vezes mais, do que o pensamento. Fomos demasiado longe na ênfase que damos ao valor e importância do puramente racional - aquilo que o QI mede - na vida humana. Para o melhor e para o pior, a inteligência pode não ter o mínimo valor quando as emoções falam.

Experimentos de conformidade de Asch

O experimento de Asch tenta mostrar como os seres humanos com condições totalmente normais podem se sentir pressionados a tal ponto que a própria pressão os leva a modificar seu comportamento e até seus pensamentos e convicções. O experimento de Asch foi desenvolvido reunindo um grupo de 7 a 9 alunos em uma sala de aula. Os participantes foram informados de que realizariam um teste de visão, portanto teriam que observar cuidadosamente um acompanhamento de imagens. Mais especificamente, ao chegar na sala de aula, o pesquisador indicou aos alunos que o experimento consistiria em comparar uma série de pares de linhas. Cada sujeito receberia duas cartas, em uma apareceria uma linha vertical e nas outras três linhas verticais de comprimento diferente. Cada participante deve indicar qual das três linhas do segundo cartão tinha o mesmo comprimento que a linha do primeiro cartão. Embora o experimento tenha cerca de 9 participantes, na realidade, todos, exceto um, eram sujeitos de controle. Ou seja, eram cúmplices do experimentador, cujo comportamento visava contrastar a hipótese do experimento e, portanto, exercer pressão social sobre o restante participante. O experimento discutido acima foi repetido com 123 participantes diferentes (sujeitos críticos). Nos resultados, observou-se que, em circunstâncias normais, os participantes responderam erroneamente em 1% das vezes, portanto a tarefa não apresentou dificuldade. No entanto, quando a pressão social apareceu, os participantes foram levados pela opinião errada de outros em 36,8% das vezes. Da mesma forma, embora a maioria dos sujeitos críticos (mais da metade) tenha respondido corretamente, muitos deles experimentaram alto desconforto e 33% deles ficaram satisfeitos com o ponto de vista da maioria quando pelo menos três cúmplices estavam presentes. Por outro lado, quando os cúmplices não emitiram um julgamento unânime, a taxa de sucesso do sujeito crítico aumentou acentuadamente quando todos concordaram com uma resposta incorreta. No entanto, quando os sujeitos realizaram a mesma tarefa sem serem expostos à opinião de outras pessoas, não tiveram problemas para determinar a resposta correta. Assim, o experimento de Asch revelou o alto potencial de pressão social sobre o julgamento e o comportamento pessoal dos seres humanos.



A Experiência de Stanley Milgram

Esta experiência tinha como objetivo o estudo das reações individuais face a indicações concretas de outros. A obediência era medida através das ações manifestas e implicava comportamentos fonte de sofrimento para outros. A experiência consistia em: Um voluntário apresentava-se para participar na experiência, sem saber que seria avaliado na sua capacidade de obedecer a ordens. Era colocado no comando de uma falsa máquina de infligir choques; Os sujeitos eram encarregues num suposto papel de "professor" numa experiência sobre "aprendizagem". A máquina estava ligada ao corpo de um homem mais velho que era submetido a uma entrevista numa sala ao lado. O voluntário podia ver o homem mais velho, mas não era visto por ele; O voluntário era instruído por um investigador a acionar a máquina de choques todas as vezes que a pessoa errava uma resposta. A intensidade dos choques aumentava supostamente 15 volts por cada erro cometido, desde 15 (marcado na máquina como "choque ligeiro") até 450 volts (marcado na máquina como "perigo: choque severo") À medida que a intensidade dos choques aumentava a pessoa queixava-se cada vez mais até que se recusa a responder; O experimentador ordena ao sujeito para continuar a administrar choques dizendo "Não tens alternativa tens que continuar a dar choques." Se a vítima só podia ser ouvida, 65% dos sujeitos iam até ao limite. Se houvesse contacto visual a percentagem baixava. Contudo, mesmo quando os sujeitos eram eles próprios a manter a mão no aprendiz sobre uma placa metálica, 30% iam até aos 450 volts. Quando o experimentador dava as instruções pelo telefone só 20.5% continuavam a obedecer. Quando a experiência era conduzida num edifício normal de escritórios a obediência caiu para 48%. Se estivesse presente um segundo sujeito que obedecia, a obediência chegava aos 92%. Se o outro recusava, somente 10% dos sujeitos chega aos 450V.


Mariana Lago 12ºD
Psicologia B 
Professora: Sónia Abreu 
 
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